Simulador de Factoring

Calcule o adiantamento, a retenção, a comissão de factoring e os juros, além do custo real anualizado — e controle o plafond disponível e os prazos de regresso da sua carteira.

O que este simulador calcula e os das instituições não

Quase todos os simuladores de factoring disponíveis online pertencem a um banco, a uma sociedade de factoring ou a um comparador. Todos fazem a mesma conta curta: valor da fatura vezes uma percentagem de comissão. Faltam precisamente as duas coisas que desorganizam a tesouraria na prática.

A primeira é o momento do recebimento. Quando existe retenção, recebe duas vezes: primeiro o adiantamento e depois a retenção deduzidos os custos, quando o cliente efetivamente paga. São dois recebimentos distintos, muitas vezes separados por seis a dez semanas. Somá-los numa única linha da previsão de tesouraria é contar com dinheiro que nesse dia não existe.

A segunda é o prazo de regresso. No factoring com recurso, se o devedor não pagar dentro do prazo acordado a fatura sai da base de financiamento. Nada é devolvido no banco e não chega qualquer carta: o valor disponível no portal simplesmente desce. O separador «Controlo do plafond» reconstrói esse cálculo a partir da sua própria carteira de faturas.

Factoring com recurso, sem recurso e confirming

Em Portugal convivem três produtos que funcionam de forma diferente e que convém distinguir antes de assinar.

No factoring com recurso o risco de incobrabilidade continua seu: se o devedor não pagar dentro do prazo de regresso, a fatura é devolvida e o adiantamento recuperado, normalmente por compensação com a retenção ou com a operação seguinte. É a modalidade mais comum nas PME e a mais barata.

No factoring sem recurso a instituição assume o risco de insolvência do devedor. Custa mais, exige devedores de boa qualidade e, quando a cessão transfere efetivamente os riscos, permite retirar o crédito do ativo, melhorando os indicadores do balanço.

O confirming é o inverso e está muito difundido em Portugal: é contratado pelo seu cliente para gerir os pagamentos a fornecedores. Se receber uma proposta de confirming, quem escolheu a instituição foi o seu cliente e a si cabe apenas decidir se antecipa ou aguarda o vencimento. Não confunda os dois: no factoring é você que controla as condições e escolhe o parceiro financeiro.

As sociedades de factoring e as instituições financeiras de crédito que operam em Portugal estão sujeitas a registo e supervisão do Banco de Portugal — vale confirmar o registo antes de contratar.

Como se forma o custo em Portugal

Um contrato português tem habitualmente duas componentes, pelo que comparar propostas por uma única percentagem induz em erro.

A comissão de factoring remunera o serviço: gestão da carteira, acompanhamento, cobrança e, no factoring sem recurso, a cobertura do risco. Exprime-se em percentagem do valor cedido, normalmente entre 0,2 % e 3 %, e aplica-se a todas as faturas cedidas, antecipadas ou não.

Os juros incidem apenas sobre os montantes efetivamente adiantados, quase sempre Euribor mais um spread, com contagem diária. É aqui que os prazos de pagamento dos seus clientes se pagam diretamente: cada dia adicional tem custo.

Acrescem rubricas que não constam da taxa anunciada: comissão de abertura ou estudo, comissão por análise de cada devedor, despesas de cobrança por fatura, transferências urgentes e agravamentos para faturas que excedam o prazo de regresso. No simulador escolha «Comissão de factoring + juros» e introduza os custos fixos em separado: em faturas de valor reduzido pesam mais do que a própria taxa de juro. Não esqueça o imposto do selo aplicável às comissões e à utilização de crédito, que também deve entrar na conta.

O custo anualizado e os prazos legais de pagamento

1,7 % ao lado de uma conta corrente caucionada a 9 % ao ano parece barato. Os números não são comparáveis: 1,7 % compra cerca de sessenta dias de tesouraria, 9 % compra um ano inteiro.

Anualize: custo total dividido pelo montante realmente recebido, multiplicado por 365 dividido pelos dias de antecipação. Uma fatura de 50.000 € antecipada a 85 %, com 0,6 % de comissão e 7 % de juros a 60 dias, custa cerca de 790 € — 1,6 % da fatura, mas aproximadamente 11 % ao ano. É este o número a colocar ao lado da taxa do seu financiamento bancário.

O contexto legal ajuda na cobrança. O Decreto-Lei 62/2013, que transpõe a diretiva europeia dos atrasos de pagamento, fixa em 30 dias o prazo supletivo nas transações comerciais, elevável a 60 dias por acordo expresso e além disso apenas quando não seja manifestamente abusivo. Em caso de atraso são devidos juros de mora comerciais à taxa publicada semestralmente pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças, acrescendo uma indemnização mínima pelos custos de cobrança. Um cliente que paga a 90 ou 120 dias é, portanto, simultaneamente um risco de tesouraria e um incumpridor — argumento útil exatamente quando a fatura se aproxima do prazo de regresso.

Prazo de regresso e plafond disponível

O prazo de regresso é a janela que o devedor tem para pagar antes de a fatura deixar de ser financiada. Habitualmente 60 a 120 dias, e os contratos portugueses contam-no normalmente a partir do vencimento, não da data de emissão. Com pagamento a 60 dias e regresso de 90, falamos de 150 dias desde a emissão: quem conta a partir da data da fatura erra por dois meses.

Esgotado o prazo, a fatura sai da base: o plafond disponível desce pelo valor multiplicado pela percentagem antecipada e, no factoring com recurso, o adiantamento é recuperado.

O plafond não é a carteira multiplicada pela percentagem antecipada, e é por isso que fica quase sempre abaixo do esperado. Parte-se das faturas cedidas em aberto; retiram-se as não financiáveis — além do prazo de regresso, em litígio e, conforme o contrato, sobre empresas do grupo, devedores estrangeiros ou clientes acima do limite aprovado. Ao remanescente aplica-se o limite de concentração por devedor, tipicamente de 20 % a 30 %, e o excedente sai. O ponto crítico é que o limite incide sobre a carteira já depurada: uma fatura vencida de um cliente qualquer reduz a base e pode empurrar o seu maior cliente acima do teto — um só acontecimento, duas deduções. O resultado multiplicado pela percentagem antecipada, limitado pelo plafond contratual, menos o utilizado: é isso que pode antecipar hoje, e a ferramenta mostra cada dedução com o respetivo motivo.

Utilizar sem ligar o banco — e porque é assim de propósito

Não existe aqui qualquer ligação bancária nem à instituição. No factoring confidencial, ler o extrato também não ajudaria: os clientes pagam numa conta controlada pela instituição e no seu extrato aparecem apenas libertações agregadas, impossíveis de imputar a faturas concretas.

As duas fontes que respondem às perguntas certas são a sua carteira de faturas e um número retirado do extrato da instituição. Portanto: transcreva uma vez as condições do contrato, importe as faturas em aberto num CSV do Primavera, Sage, Moloni ou InvoiceXpress (as colunas escolhe depois de carregar o ficheiro) e indique o montante já utilizado. Depois marque as faturas recebidas — poucos minutos por semana.

A ferramenta aprende com isso: quando algumas faturas estão marcadas como pagas, calcula o prazo médio real de cada devedor e passa a usá-lo na previsão. Um cliente com vencimento a 60 dias que paga de facto a 88 passa a ser projetado a 88 dias. Todos os dados ficam neste navegador; a cópia de segurança permite passá-los para outro dispositivo.

Condições habituais em Portugal

RubricaIntervalo habitualDe que depende
Percentagem antecipada80 % – 90 %Setor, qualidade dos devedores e antiguidade do contrato. O restante fica como retenção.
Comissão de factoring0,2 % – 3 % do valor cedidoVolume cedido, número de faturas, valor médio e amplitude da gestão de cobrança.
JurosEuribor + 1,5 % – 4,5 %Solidez da empresa e prazos efetivos de recebimento. Contagem diária sobre o adiantado.
Prazo de regresso60 – 120 diasContado normalmente do vencimento, não da data de emissão — confirme no contrato.
Limite de concentração20 % – 30 % por devedorDiversificação da carteira. Causa mais frequente de quedas inesperadas do plafond.
Comissão de abertura e imposto do selopontual, negociávelDimensão do plafond e análise. O imposto do selo incide sobre comissões e utilização de crédito.

Intervalos de mercado para avaliar a coerência de uma proposta, não uma oferta. Prevalecem o contrato de factoring e o extrato da instituição.

Factoring, confirming e conta corrente caucionada

FactoringConfirmingConta caucionada
Quem contratavocê, sobre as suas vendaso seu cliente, sobre as compras delevocê, com o banco
O que financiaas suas faturas emitidasos pagamentos do cliente a fornecedoresnecessidades de tesouraria
Risco de incobrabilidadeda instituição se for sem recursodo banco do clienteseu
Quem escolhe a instituiçãovocêo seu clientevocê
Cresce com as vendassimdepende do clientenão, plafond fixo
Gestão de cobrançapode ser assumida pela instituiçãonão se aplicasua

Perguntas frequentes sobre factoring

Quanto custa o factoring em Portugal?

Conte com uma comissão de factoring de 0,2 % a 3 % do valor cedido mais juros de cerca de Euribor acrescido de 1,5 % a 4,5 % sobre os montantes adiantados, além do imposto do selo aplicável. Numa fatura de 50.000 € recebida a 60 dias, o custo total situa-se frequentemente entre 500 € e 1.400 €, ou seja 1 % a 2,8 % da fatura, cerca de 7 % a 17 % ao ano.

Qual é a diferença entre factoring com recurso e sem recurso?

Com recurso, o risco de incobrabilidade continua seu: se o devedor não pagar dentro do prazo de regresso, devolve o adiantamento. Sem recurso, a instituição assume a insolvência do devedor, cobra mais por isso e, quando a cessão transfere efetivamente os riscos, o crédito pode sair do ativo melhorando os indicadores do balanço.

O que é o confirming e em que difere do factoring?

O confirming é contratado pelo seu cliente para pagar aos fornecedores: se receber uma proposta, a instituição foi escolhida por ele e a si cabe decidir se antecipa ou espera o vencimento. O factoring é contratado por você sobre as suas faturas emitidas e é você que escolhe o parceiro e negocia as condições.

O que é a retenção no factoring?

É a parte da fatura que a instituição não adianta: com um adiantamento de 85 %, os 15 % restantes. Serve de margem para notas de crédito, descontos, litígios e pagamentos parciais. Quando o devedor paga integralmente, a retenção é libertada deduzidos os custos. Se os custos excederem a retenção, terá de devolver a diferença.

O que acontece se o meu cliente pagar com atraso?

Primeiro paga juros por cada dia adicional de financiamento. Mais importante: se a fatura exceder o prazo de regresso — normalmente 60 a 120 dias após o vencimento — deixa de ser financiada. O plafond desce pelo valor multiplicado pela percentagem antecipada e, no factoring com recurso, o adiantamento é recuperado sem que qualquer movimento o avise.

Porque desceu o meu plafond sem ter utilizado nada?

Quase sempre por um destes três motivos: uma fatura excedeu o prazo de regresso e saiu da base, um devedor ultrapassou o limite de concentração, ou uma fatura entrou em litígio. Nenhum gera movimento — a base é apenas recalculada. Ao introduzir a carteira, a ferramenta mostra cada dedução com o motivo.

O que é o limite de concentração por devedor?

É o teto do peso que um único devedor pode ter na carteira financiável, normalmente de 20 % a 30 %. Se a carteira financiável for 100.000 €, o limite 30 % e um cliente deve 50.000 €, então 20.000 € ficam fora do financiamento. O limite aplica-se depois de retiradas as faturas não financiáveis.

Quais são os prazos legais de pagamento entre empresas?

O Decreto-Lei 62/2013 fixa 30 dias como prazo supletivo nas transações comerciais, elevável a 60 dias por acordo expresso e além disso apenas quando não seja manifestamente abusivo. Em caso de atraso são devidos juros de mora comerciais à taxa publicada semestralmente, acrescendo uma indemnização mínima pelos custos de cobrança.

Os meus clientes ficam a saber que uso factoring?

No factoring com notificação sim: a cessão é comunicada e o cliente paga à instituição. No factoring confidencial não: fatura e faz o acompanhamento como antes, e os recebimentos entram numa conta controlada pela instituição. A modalidade confidencial exige normalmente uma gestão de cobrança própria sólida e melhor estrutura financeira.

Como se contabiliza o factoring?

A prática é abrir uma conta com a instituição: o direito de crédito é abatido, o adiantamento registado como recebimento, comissões e juros como gasto financeiro e a retenção mantida como crédito até ser libertada. No factoring com recurso o adiantamento é reconhecido como dívida, porque o risco não foi transferido. Confirme o enquadramento com o seu contabilista certificado.

Vale a pena recorrer ao factoring?

Depende da alternativa. Se a escolha for entre um custo anualizado de 10 % a 17 % e perder uma encomenda ou não cumprir salários, geralmente vale. Se tem conta caucionada disponível e mais barata, o crédito sai melhor para o mesmo prazo — o painel de comparação faz essa conta. O plafond de factoring, em contrapartida, cresce automaticamente com as vendas.

A ferramenta acede à minha conta bancária ou ao meu software?

Não. Sem registo, sem ligação bancária e sem integrações. Introduz condições e faturas — manualmente ou importando um CSV que o seu software já exporta — e tudo é calculado no navegador e guardado apenas no seu dispositivo. No factoring confidencial uma ligação bancária pouco ajudaria, porque o extrato mostra apenas libertações agregadas.

Os intervalos refletem a prática portuguesa do factoring em 2026, com um mercado de cerca de 34 mil milhões de euros de volume. As sociedades de factoring e instituições financeiras de crédito estão sujeitas a registo no Banco de Portugal. Confirme a taxa de juros de mora comerciais em vigor, publicada semestralmente, antes de a usar numa interpelação.

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